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Coletânea Bem-Aventuranças · 1 de 9

O Sermão do Monte: o início do maior sermão da história

Rodolfo Figueredo · Pastor Sênior

16 de julho de 2026 · 18 min de leitura

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Exposição

Pergunte a um cristão se ele conhece o Sermão do Monte e a resposta virá rápido. Bem-aventurados os que choram. Vós sois o sal da terra. Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino. São frases decoradas desde a infância, repetidas nos cultos, citadas em conversas e penduradas na parede da sala.

Agora faça outra pergunta. Por que Jesus começou o sermão exatamente daquele jeito? Com quem Ele estava falando? Onde aquelas palavras pretendiam chegar?

Aí costuma aparecer o silêncio.

E isso não é um detalhe pequeno, porque o Sermão do Monte não foi pregado em pedaços. Ao chegarmos em Mateus 5, estamos entrando numa parte nova do Evangelho. Do capítulo 1 até o capítulo 4, Mateus construiu uma narrativa com provas contundentes — históricas e proféticas — a respeito de quem é o Cristo. Ele demonstrou que Jesus é o Messias prometido. No fim do capítulo 4, apresentou-nos a estratégia do ministério do Senhor. Agora, a partir do capítulo 5, começamos a ver a obra propriamente dita.

Por isso mesmo, antes de tratarmos verso por verso, precisamos parar e olhar para o conjunto. Porque sem considerações introdutórias corremos o risco de ler o maior sermão já pregado como se fosse uma coleção de frases bonitas e desconexas.

Que relação existe entre esse monte e o Sinai? Qual é o objetivo desse sermão? Por que precisamos pregá-lo, estudá-lo e vivê-lo? E o que exatamente Cristo estava fazendo quando viu as multidões, subiu o monte e se assentou?

Que o Senhor nos permita caminhar nesse texto com profundidade, com graça e pelo Espírito Santo.

1. O Sinai e o monte de Cristo se olham de frente

Existe uma ligação plena, uma ligação total, entre o Sermão do Monte e o Decálogo pregado no Sinai, em Êxodo 20. Não é semelhança acidental. Mateus quer que enxerguemos isso, e há pelo menos cinco pontos de correlação que precisamos tomar nota.

Primeiro: ambos os sermões foram pregados por Deus.

Não por um pastor. Não por um apóstolo. Nem mesmo por um profeta. No Antigo Testamento, o Pai falou; aqui, no Novo, fala o Filho. E, conforme a Igreja sempre confessou, o Filho é Deus de Deus, luz de luz, da mesma substância do Pai. Não são a mesma pessoa, mas são o mesmo Deus, possuindo a mesma divindade e coexistindo entre si. Isso significa que os dois sermões carregam exatamente a mesma autoridade.

Segundo: Mateus está apresentando Jesus como o segundo Moisés, e infinitamente maior.

Qual foi a responsabilidade de Moisés no Sinai? Subir, estar diante de Deus, receber as tábuas da lei, descê-las e comunicá-las ao povo. Moisés carregou algo externo a si mesmo.

Cristo não trouxe tábua alguma.

Ele não precisou trazer, porque Ele mesmo é a substância do sermão. Ele é o pregador e Ele é a Palavra. Não há nada externo para onde possamos olhar. Olhamos para Cristo. Suas obras se tornaram milagres verdadeiros. Sua vida se tornou o modelo. E, enquanto Moisés apenas ensinou as etapas do sacrifício levítico, Cristo tornou-se o próprio sacrifício — perfeito, oferecido uma única vez, tornando desnecessário qualquer outro.

A distância entre o primeiro Moisés e o segundo Moisés é infinita.

Terceiro: ambos os sermões foram pregados do alto de um monte.

Lá, o Sinai. Aqui, o monte da Galileia. Havia uma razão prática nisso: era preciso um lugar de onde todos pudessem ver e ouvir. Mas há também uma razão teológica, e ela é grandiosa: a centralidade do Reino de Deus é a Palavra.

Quarto: em ambos havia multidões

Nem no Sinai nem na Galileia Deus falou para uma sala vazia. Quando o Senhor decide anunciar a sua palavra, Ele reúne um povo para ouvi-la — e isso também não é acidente. A palavra de Deus não foi dada apenas para consumo particular, mas para ser proclamada diante da congregação. O que muda entre um monte e outro é o motivo pelo qual aquela gente se reuniu ali, e voltaremos a isso adiante, porque a diferença é reveladora.

Quinto: ambos os sermões contêm doutrina.

Isto precisa ficar bem claro desde o início. Mateus 5, 6 e 7 não são uma coletânea de conselhos amáveis. É corpo doutrinário. É norma para a vida da Igreja do Senhor.

2. O monte que mandava afastar e o monte onde Cristo se assentou

Ainda dentro da comparação entre os dois montes, existe uma diferença que merece atenção especial, porque nela o Evangelho aparece inteiro.

No Sinai, a ordem era expressa: somente Moisés subiria. Todos os demais deveriam afastar-se. E se algum homem, ou mesmo um animal, tocasse o monte enquanto Deus ali estivesse, morreria.

No Sermão do Monte, Jesus subiu, assentou-se e permitiu que todos se aproximassem.

O primeiro monte mostra a santidade de Deus. A pureza que há na Trindade nos expulsa, nos julga imediatamente por causa dos nossos pecados e nos condenaria à morte. Diante daquele monte, a única palavra possível ao pecador é "afaste-se".

No segundo monte, a Trindade se abre em amor. No tempo determinado — aquilo que Paulo chama de plenitude do tempo (Gl 4:4) — Deus se manifestou para nos abraçar.

"Aproximem-se. Assentem-se. Vocês precisam conhecer mais de mim."

Essa diferença não é decorativa. É disso que o texto está falando.

Vale também observar por que as multidões se reuniram em cada caso. Em Êxodo 19, Deus determinou com dias de antecedência quando se manifestaria, e o capítulo inteiro descreve os cuidados minuciosos exigidos para que o povo se aproximasse. Havia hora marcada. Não havia espaço sequer para atrasos: o povo deveria estar reunido quando Deus falasse.

No Novo Testamento, o motivo foi outro. Não havia hora marcada. O povo se aglomerou porque estava vendo, em Cristo, aquilo que jamais tinha visto — e isso despertou a curiosidade de multidões inteiras.

E Jesus aproveitou o momento.

3. Isso é um sermão, e sermão não se entende em pedaços

Existe uma diferença de gênero literário entre o que lemos até aqui e o que começamos a ler agora, e ela costuma passar despercebida.

Do capítulo 1 ao capítulo 4, Mateus escreveu uma narrativa histórica. A partir do capítulo 5, ele registra um sermão. Continua sendo narrativa inspirada, evidentemente, mas a narrativa de uma pregação — e isso altera a maneira como o texto deve ser lido.

Quem estuda homilética aprende que um sermão possui introdução, corpo doutrinário, frequentemente ilustração e finalização. Nenhuma dessas partes existe isoladamente; cada uma depende das anteriores. Se Mateus 5, 6 e 7 formam um sermão, então precisam ser lidos a partir dessa estrutura.

Considere Mateus 6:1-4. Aquele texto não é autônomo. Ele está no meio de uma pregação, e ninguém consegue expor com exatidão o que o Senhor diz ali sem antes ter compreendido a introdução daquilo que Ele começou a dizer no capítulo anterior.

Isso não significa que seja proibido pregar apenas uma porção do Sermão do Monte. Não há proibição alguma. Significa que a tarefa do pregador se torna consideravelmente mais difícil, porque ele precisará explicar, com coerência, tudo o que antecede o texto escolhido. Se conseguir fazê-lo, que Deus o abençoe e que o Espírito o use. Caso contrário, o povo terá enorme dificuldade para compreender a fala do Cristo.

É exatamente por essa razão que as bem-aventuranças estão onde estão.

Elas são a introdução do sermão. Numa narrativa histórica, poderiam aparecer mais adiante, no capítulo 7, sem prejuízo maior. Num sermão, não podem. E há aqui algo mais sério do que uma questão de ordem literária: ninguém compreende e vive o que está em Mateus 6 sem antes viver a introdução do sermão.

O próprio Cristo organizou essa introdução em três partes.

  1. Nos versículos 1 a 10, Ele trata do caráter cristão.

  2. Nos versículos 11 e 12, trata da reação aprovada do crente diante do sistema mundano — porque existe um sistema que nos ataca diariamente, da hora em que acordamos até a hora em que dormimos, e existe também um sistema espiritual maligno que nos ataca até durante a noite, se o permitirmos.

  3. Nos versículos 13 a 16, trata da função de todo crente diante da sociedade em que vive.

É o mesmo movimento que um pregador faz quando anuncia que trará algumas considerações antes de entrar no texto.

Cristo apenas o fez infinitamente melhor.

Há ainda uma segunda divisão que precisamos observar.

  1. De 5:1 a 5:10 temos aquilo que chamamos de características gerais: o que todo crente, em toda época e em qualquer momento da história, precisa crer, ser e viver. Ponto.

  2. Do versículo 11 até o fim do capítulo 7, temos as características específicas: aquilo que todo crente precisa conhecer e defender, mas que não necessariamente viverá.

A Bíblia não afirma que todos os cristãos sofrerão perseguição. Ainda assim, Jesus ensina qual é o caráter do crente que a atravessa, e isso precisa ser conhecido, para que, caso aconteça, o crente se conduza segundo as Escrituras e não segundo aquilo que lhe pareça correto. O mesmo vale para o adultério, tratado mais adiante no sermão. Sabemos o que significa e como devemos lidar com aquilo, sem que isso implique que passaremos por ali.

A primeira parte, porém, não admite exceção. Ela alcança todo crente, em todo tempo.

4. O objetivo do Sermão do Monte não é o que muitos supõem

Todo sermão tem um objetivo. E, quanto a este, existem equívocos que precisamos afastar.

Alguns dizem que o objetivo é social — que o sermão descreve apenas a maneira de a igreja se comportar entre irmãos. Não é isso. As bem-aventuranças, corretamente compreendidas, deixam claro que é uma impossibilidade, por definição, o homem natural, sem conversão, viver o Sermão do Monte.

Outros afirmam que se trata de uma reexposição do Decálogo. Nessa leitura, Israel não havia compreendido nada da lei, e Jesus teria voltado a citá-la acrescentando informações espirituais para que enfim fosse entendida. Isso é judaizar o Evangelho — discussão teológica já vencida em Romanos e em Gálatas, ainda que insistam em mantê-la viva. Não é o caso. Muito pelo contrário: Cristo não está repetindo a exposição da lei, mas trazendo toda a compreensão da nova aliança.

E há ainda quem defenda uma leitura dispensacional, por mais difícil que seja acreditar que tal coisa ainda se sustente. Segundo essa interpretação, o sermão teria sido pregado somente para aquela geração; e, não tendo aquela geração conseguido cumpri-lo, Cristo então precisou ir à cruz. Eles ouviram, não viveram, e por isso Cristo morreu.

Isso é heresia.

As profecias já apontavam para o Cristo entregue, muito antes daquele monte. O Sermão do Monte não é fator de salvação. Somente em Cristo, unicamente por Cristo e por meio de Cristo existe salvação. Isso precisa ficar claro.

Qual é, então, o objetivo do Sermão do Monte?

Cristo estava revelando sua verdadeira, gloriosa e perfeita vontade a respeito de como deve ser representada a vida cristã dentro do Reino de Deus. Há uma nova aliança surgindo, cumprindo aquilo que o Antigo Testamento anunciara.

Tudo mudou.

5. Por que precisamos pregar, ler, meditar e viver esse sermão

Primeiro: o Sermão do Monte é a coluna dorsal da nova aliança.

Sem ele, ficamos desprovidos do Reino e da caminhada cristã. Sem ele, não compreendemos a justificação. Sem ele, não compreendemos o juízo de Deus, o juízo de valores, o juízo do pecado. Sem ele, não há compreensão de modo de viver. Quando Paulo trata de divórcio e novo casamento em 1 Coríntios 7, ele só tem condições de fazê-lo porque Cristo pregou antes. Irmãos piedosos que não possuem compreensão exata desse sermão não estão vivendo a vida cristã em plenitude.

Segundo: não existe nas Escrituras texto tão incisivo quanto à necessidade da nova aliança.

Nenhum outro é tão claro e tão repetitivo em mostrar o quanto dependemos do novo nascimento e do Espírito Santo para viver aquilo que Cristo pregou. E isso, por si só, já desfaz um erro grave. Quem não compreende esse ponto acabará lendo as bem-aventuranças como uma lista moral — e, se forem apenas moral, então os ímpios podem cumpri-las tranquilamente.

Afinal, existem crentes pacificadores. Mas existem também pessoas sem nada de Cristo que são pacificadoras por temperamento ou por conveniência, aquelas que preferem deixar tudo quieto para evitar desgaste. Se as bem-aventuranças fossem uma lista de virtudes naturais, isso bastaria.

Não é disso que o texto está falando.

Terceiro: porque há bênçãos declaradas.

Não existe cristão que não deseje a graça e as dádivas do Senhor sobre a própria vida. Ora, o caminho para elas está justamente aqui: viver o Sermão do Monte, começando pelas bem-aventuranças. Percorremos tantos caminhos teológicos elaborados, e o Senhor havia deixado a resposta logo na abertura da sua pregação. A cada bem-aventurança corresponde uma recompensa da parte de Deus, e isso não é opinião de pregador. É promessa, anunciada pelo próprio Senhor.

E que ninguém se assuste: isso não é merecimento. É graça de Deus sobre o seu povo.

Quarto: porque o Sermão do Monte torna a vida cristã dinâmica.

Ele não nos permite uma vida cristã estática.

O que é uma vida cristã estática? É a daquele irmão que diz, com toda a sinceridade: "Tenho abandonado meus erros. Tenho abandonado meus pecados. Deus é testemunha de quanto tenho chorado desejando servir ao Senhor e pedindo misericórdia pelos erros do passado. Tenho evitado o pecado e andado no caminho certo." E então descansa o coração nisso, como se restasse apenas frequentar o culto e permanecer assim.

O sermão inteiro demonstra que há muito mais a fazer.

Todos os dias existem desafios que não envolvem mais ninguém além do próprio crente, para que ele seja de fato aquilo que está escrito ali. A vida cristã torna-se ativa. Não porque um pastor exija, mas porque está no texto.

O Sermão do Monte não nos acomoda. Diante das tábuas do Decálogo, ainda era possível conferir a lista e concluir: cumpro isto, cumpro aquilo, estou tranquilo. Diante do sermão de Cristo, isso é impossível.

Sim, dá trabalho. Mas é gratificante, porque nos percebemos, enfim, dentro do Reino. Ativos no Reino. Úteis no Reino.

6. Jesus não apenas olhou para a multidão. Ele a viu.

Dito tudo isso, podemos finalmente chegar ao texto.

"Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte" (Mt 5:1).

Parece uma abertura simples. Não é.

Primeiro, saibamos de que multidão se trata. O capítulo 4 encerra dizendo que a fama de Jesus correu por toda a Síria, que lhe trouxeram todos os enfermos, e que numerosas multidões o seguiam desde a Galileia, Decápolis, Jerusalém, Judeia e além do Jordão (Mt 4:24-25). Não foi um ajuntamento repentino. Havia um histórico. Pessoas viajaram de longe. E o que elas estavam vendo, em Cristo, era a glória do Pai na pessoa do Filho.

Agora observe o verbo. A palavra grega ali não descreve alguém que apenas nota que há pessoas em volta. Ela é muito mais profunda. Jesus percebeu a multidão.

Existe diferença entre olhar e ver.

Imagine que você caminha pela rua ao lado de um amigo. Vocês seguem no mesmo passo, conversando, e você está atenta ao trânsito, aos carros, ao movimento. De repente, ele interrompe você no meio da frase: "Nossa, você viu?" E você responde: "Vi o quê? Não vi nada." "Mas você estava olhando bem para lá!" E estava mesmo. Você estava olhando. Mas não viu.

Existe uma diferença enorme entre olhar para um lugar e perceber o que acontece naquele lugar.

Jesus não olhou para o lado da multidão. Ele percebeu a multidão. E perceber, aqui, é enxergar a necessidade daquelas pessoas.

Somente um Deus como Jesus Cristo faz isso perfeitamente. Mas, a exemplo do nosso Senhor, precisamos aprender a fazê-lo.

Digo isso porque uma das coisas mais tristes que se observa é a impressão de que, quanto mais alguém se destaca no meio cristão, mais deseja ausência de pessoas. Sei que existem argumentações para isso, algumas delas plausíveis quando se trata de pessoas conhecidas. Sei que há quem não respeite limite algum, que não permita a um irmão almoçar em paz com a família. Nem por isso o nosso modelo deixa de ser Jesus.

Pastor anda no meio de gente.

7. Ele mudou a agenda, assentou-se e gastou tempo

O texto deixa claro que Jesus não estava a caminho do monte e que não havia culto marcado para aquela hora. Ele subiu por causa das multidões. Ter enxergado a necessidade daquelas pessoas fez o Senhor alterar sua agenda.

E então Ele fez algo aparentemente banal.

Ele se assentou.

Na cultura judaica, assentar-se é a posição do mestre. Ao assentar-se, Cristo demonstrou quem ali era o Rabi e quem detinha autoridade. É o Deus que se assenta para ensinar. Que privilégio!

Mas há mais. Ao assentar-se, Ele comunicou àquela multidão que estava se disponibilizando a mostrar-lhes o Pai.

"Eu mudo minha agenda. Eu estou aqui. Eu quero falar do Pai — e preciso ensinar como agradá-lo."

E há ainda um terceiro sentido. Quem se assenta está dizendo: eu vou gastar tempo com você. Os sermões de Jesus eram demorados. Em Lucas 9, quando Ele ensina a multidão, o dia inteiro se esgota — a ponto de o entardecer chegar e ser necessário resolver a questão da comida daquela gente.

A igreja precisa aprender que Reino de Deus é gastar tempo.

Deixemos de tentar encaixar o Reino de Deus na nossa agenda. Não foi isso que Jesus ensinou. Ele ensinou o contrário: que alteremos a nossa agenda por causa do Reino. Aliás, sem esse contexto o capítulo 6 do mesmo sermão não faz sentido algum, quando manda buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça.

É um sermão. Uma coisa depende da outra.

E vale acrescentar algo que raramente se diz: servir ao Reino custa tempo antes mesmo de começar. Custa preparo, custa a noite anterior, custa madrugar. Não existe atalho, e não existe serviço ao Senhor sem temor e sem trabalho.

Cristo mudou tudo porque amou o Reino.

8. Ele chamou de discípulos pessoas que ainda estavam a caminho

O versículo 1 termina dizendo que, ao assentar-se, aproximaram-se os seus discípulos.

Precisamos ter cuidado aqui, porque não estamos falando dos doze. Até este momento do Evangelho, Jesus havia chamado apenas quatro; os doze aparecem somente no capítulo 10. Os discípulos de Mateus 5 são a própria multidão — pessoas que queriam ser como Jesus.

O contexto, mais uma vez, decide o sentido do texto.

E aquilo nos ensina algo a nosso próprio respeito. Temos a tendência de crer que ninguém deseja nos ouvir falar do Evangelho. Essa tendência, porém, revela menos sobre as pessoas do que sobre nós mesmos: eu não gostaria de ouvir, logo presumo que o outro também não queira.

Jesus não julgou assim.

É verdade que as pessoas podem espernear, brigar e odiar a Deus — as Escrituras afirmam que somos, por natureza, inimigos de Deus. Mas quem abre o caminho é o Espírito. O crente fala em fé, preparado inclusive para ouvir um não, e não raro recebe como resposta um agradecimento sincero de quem precisava exatamente daquilo. O caminho se abriu. O Espírito agiu. E ainda assim insistimos em não chamar aquilo de milagre.

Cristo chamou de discípulos uma multidão que ainda não estava convertida porque olhou para aquelas pessoas com os olhos de Deus. Sabemos que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Mas, pelos olhos da fé, qualquer um daqueles ouvintes podia vir a crer.

Como não sabemos quem são, falamos com todos.

Falamos com o frentista, na palavra rápida trocada enquanto ele devolve a chave. Falamos com o idoso que encontramos sozinho, que talvez esteja mais perto da eternidade do que nós e que quase sempre deseja conversar. Se há alguém disposto a ouvir, que ouça a respeito de Cristo.

Amemos a Cristo a ponto de falar dele a todas as pessoas. Não ofereçamos apenas conselhos psicológicos a quem está diante de nós. As pessoas precisam de Cristo. Precisam ser salvas e redimidas do pecado.

A Bíblia não afirma que aquela multidão inteira se converteu. Não afirma. Mas naquele dia, naquele monte, elas ouviram a respeito do Reino.

Conclusão — Tudo começou com um Deus que percebeu

O maior sermão que já existiu não começou com uma agenda, com um horário marcado nem com um auditório preparado.

Começou porque Deus percebeu a necessidade do outro.

Começou porque Deus mudou a sua agenda.

Começou porque Deus se assentou, disponibilizou-se e gastou tempo com pessoas que ainda estavam vindo.

E foi assim que uma multidão inteira ouviu a respeito do Pai.

Antes de nos perguntarmos se conseguimos viver as bem-aventuranças, talvez seja necessário perguntar algo mais simples: eu tenho apenas olhado para as pessoas ou tenho realmente visto as pessoas? A minha agenda governa o Reino ou o Reino governa a minha agenda? Eu estou disposto a gastar tempo com gente, ou apenas a cumprir compromissos religiosos?

Não vamos entender o Sermão do Monte se não entendermos sua introdução. E não viveremos sua introdução se não vivermos o versículo 1.

Sim, é muita informação para um único versículo. É mesmo. Mas este é o sermão mais profundo que você ouvirá em toda a sua vida. Nenhum outro homem conseguiu pregar algo tão puro, tão completo e tão perfeito quanto Cristo pregou naquele monte.

Por isso vale a pena caminhar devagar. Uma parte depende da outra.

Que Deus guarde os nossos corações. E que, a exemplo de Jesus, possamos fazer as obras que Ele fez.

Em Cristo,

Pastor Rodolfo Figueredo.

Rodolfo Figueredo · Pastor Sênior

16 de julho de 2026

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Comentários (1)

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Ana Paula Dias

19 de julho de 2026

Me lembro da exposição desse sermão e como ele mudou a forma como eu enxergo o sermão de Jesus no Monte, como Ele parou e olhou para as pessoas, como Ele ensinou os mandamentos de Deus. Que privilégio!!!

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